Cartas

Em nossa 3˚ edição, recebemos um presente de Zé Humberto, registrado em forma de carta:

“A Mostra de Cinema no Capão vem ocorrendo ininterruptamente desde o ano de 2003, sempre em julho, período de inverno. O evento já integra o calendário cultural da Chapada Diamantina e se destaca pelo seu caráter essencialmente comunitário. As crianças e os jovens, sobretudo, além de adultos nativos do belo vale baiano experimentam, durante uma semana de programação intensiva, a intervenção da linguagem cinematográfica nos sete dias e noites do pacato e aprazível povoado cercado por chapadões sob o céu anil. A carência cultural da região faz a população aderir em massa às atividades previstas nos três turnos cotidianos. A rotina do vilarejo é rompida com o impacto saudável da novidade que motiva em profundidade as pessoas à participação efetiva. A relação da imagem em movimento ganha o aspecto de efusão coletiva. A luz e a sombra projetadas na tela branca bem como os sons propagados proporcionam um clima de magia. E o encantamento desfrutado se mescla a um planejamento pedagógico que enriquecem a percepção e valorizam o momento da reflexão. Enquanto o resultado de coesão social fica patente no elevado grau de aceitação, diríamos unânime. A alegria, satisfação e o rendimento intelectual saltam a olhos vistos. O agito organizacional desse (re)encontro audiovisual é sustentado basicamente pelo entusiasmo e a competência compartilhados pelo trimatriarcado de Marcela / Janaína / Gabriela. Vislumbramos na Mostra de Cinema no Capão um embrião precioso de solidariedade aos sem-tela desse País de dimensão continental. Sua continuidade se faz necessária, sempre, a cada ano aperfeiçoando-se e ganhando apoios irrestritos de todos. Numa corrente permanente de criatividade, inovação e vigor em prol de um cinema comprometido com o pathos de cidadania”

Zé Umberto

Julho de 2005

 

Na 5˚ Edição, outro presente! Desta vez do cineasta Geraldo Sarno:

“Desculpem a demora em me comunicar após a volta. Somente agora, saio do montão de coisas que me assaltaram na volta e posso com tranquilidade agradecer a vocês a experiência maravilhosa que foi para mim participar da oficina de cinema no Capão e projetar o Balzac no Coreto. E ter conhecido o trabalho de vocês. Nossa, é demais! Aliás, o Capão existe mesmo? Ou é só um sonho, uma miragem, que gente como vocês vai semeando pelo mundo afora? Espero que por muitos e muitos e muitos anos vocês continuem a levar  cinema a pessoas como as que participaram da oficina. E agradeço ainda por ter conhecido Zezão, o pastor de pássaros, guardião de cachoeiras, mestre do forró, que recebe em sua casa com requintada galinhada sertaneja e pirão de fruta pão. Demais mesmo! E como se não bastasse eu e Jerusa recebemos o presente de  conviver com Edgard e Ritinha por três dias inteiros. Jamais esquecerei, podem crer. Obrigado a vocês, que provam que o cinema pode ainda fazer alguma pela vida. Beijos, Geraldo Sarno”.

Geraldo Sarno 

Março de 2012